Ainda não vi tudo, mas muito me agrada.

Julho 22, 2008 at 12:11 pm (cinema) (, , )

Estou impressionada com a qualidade do novo cinema argentino. Não gosto de rótulos geográficos, entretanto, devo destacar a eficácia de toda uma geração.
“Não acredito em regras para fazer cinema sob aspecto nenhum, nem nas da nouvelle vague, nem nas do neo-realismo italiano, nem nas do Dogma, nem nas de Hollywood. Cada filme tem suas próprias regras”, disse Pablo Trapero, um dos diretores cultuados da nova era argentina.

Já que os próprios realizadores não aceitam esteriótipos. Vamos aos fatos.
Em 1995, o Incaa (Instituto Nacional do Cine e do Audiovisual Argentino) aprovou uma lei para promover e regulamentar as atividades cinematográficas fundamentadas na cobrança de taxas sobre as entradas nas salas de cinema, a venda de fitas de vídeo e DVD, além da taxação da publicidade na TV. Essa medida permitiu o financiamento, através de créditos e auxílios, de produções nacionais e também o surgimento de novos profissionais. Uma das iniciativas do instituto foi a premiação do ciclo “Histórias Breves”, uma reunião de curtas metragens de cineastas iniciantes.

Para começar a assistir los hermanos
Lucrecia Martel: Possui uma espécie de “câmera nervosa”, é impossível não sentir estímulos de incômodo durante seus filmes. “O Pântano”, “A Menina Santa” (produzido por Almodóvar) e o ainda inédito no Brasil “La Mujer Sin Cabeza”, encabeçam sua curta e já premiada carreira de longas-metragens.
Saca “Beleza Americana”? Multiplica por 3.
Tome nota: Lucrecia Martel odeia a expressão “novo cinema argentino”. Ela ia odiar esse texto.
Ela me lembra François Ozon.

Juan José Campanella
Responsável pelo aclamado “O Filho da Noiva” e vamos combinar, o filme é de uma excelência ímpar. Antes da consagração desse filme, Juan dirigiu o belo e romântico “O mesmo amor, a mesma chuva”. A grande marca de Juan é a maneira cativante de conquistar o espectador com histórias simples de uma poesia cotidiana.
Tome nota: Falar de Juan José sem falar de Ricardo Darin, é como falar de Tim Burton sem citar Johnny Depp. O ator participou de seus três filmes: “O filho da noiva”, “O mesmo amor, a mesma chuva” e “Clube da Lua”.  Avião sem asa, fogueira sem brasa…

Pablo Tepero
Pablo foi indicado ao Festival de Cannes esse ano por “Leonera”. Seu grande marco, contudo, até agora é “Família Rodante”. Seus dramas familiares são fortes de expressão única.
Tome nota. Bom demais

Se um cinéfilo argentino ler meu post, possivelmente, irá me considerar uma pseudo conhecedora.  Mas creio que para nós, latinos, que vivemos um bombardeio cinematográfico atual, ficar por dentro desses novos nomes e através deles, conhecer outros tantos, já é um avanço.

Espero que Walter Salles, Meirelles, Beto Brant e cia tenham chegado ao conhecimento dos nosso vizinhos.

Por: Rachel Turetti

Comente