007 Contra Goldfinger
***** de *****
“Dr. No”, um magnífico início, “Moscou”, que continua e expande a franquia, e, agora, “Goldfinger”, o que é? Um filme de ação para acabar com os filmes de ação? Não, pois nesse quesito, “Moscou” não foi superado – só equiparado, talvez. Não, “Goldfinger” é o Bond definitivo, e não é pela mera qualidade da ação. O terceiro filme do espião britânico é o que cimenta não a excelência da série, já confirmada em 63, mas, sim, o universo que o personagem habitará pelos próximos 40 anos no cinema. Surgem os vilões megalomaníacos, planos mirabolantes, personagens memoráveis (com nomes igualmente inesquecíveis), objetos icônicos e uma cortina de fantasia que adiciona ainda mais charme à ótima cinessérie. Se mais tarde esse tom fantasioso seria usado com os piores resultados possíveis (“Um Novo Dia Para Morrer” sendo o expoente máximo), aqui ele dá uma marca indelével, automaticamente associada à maior franquia do cinema.
O roteiro pode ter deixado um pouco de lado o ritmo intenso de seu predecessor, mas a narrativa ganha um charme sem precedentes – embora esse charme já estivesse presente nos filmes anteriores, eles dividiam espaço com a trama detetivesca, no primeiro, e o passo adrenalinesco, no segundo. Aqui tudo é feito sob medida para cativar o espectador, seja ao introduzir personagens como Oddjob de forma brilhante, ao bolar planos fantásticos (e ainda assim coerentes) ou ao usar de tiradas arrasadoras. Os diálogos, por sinal, são outro grande atrativo, pois abusam do humor negro visto de forma passageira nos filmes anteriores (“Chocante… Literalmente chocante”; “Tocando sua harpa dourada”), usam trocadilhos inteligentes (“Você gosta de um barbear rente, não é?”) e apresentam “sutilezas” para a época (“Sou paga para ser vista com ele. Só vista”) – embora, hoje em dia, não seja tão sutil assim.
Personagens também são definidos por suas falas, seja pelo tom sisudo de Q, pelas cortadas gélidas de Pussy ou pelas ironias e sarcasmos impagáveis de Bond – até mesmo os grunhidos de Oddjob podem ser considerados uma marca do vilão. Enquanto todo o elenco faz um trabalho ótimo, Gert Fröbe se mostra uma escolha excelente para Goldfinger, pois equilibra a megalomania de seu plano numa atuação incrivelmente moderada, deixando, por outro lado, a ganância e o orgulho aflorarem em suas expressões de vez em quando. Ele consegue se firmar como um vilão que não apresenta ameaça física alguma, mas a aura de imponência que Fröbe lhe dá o faz brilhante por esse mesmo motivo. Pussy Galore (!) já é mais perigosa, mas é pela personalidade fria que ela conquista e, ao mesmo tempo, cria temor – uma pena que sua atitude final seja uma escolha açucarada demais por parte do roteirista.
O oponente de verdade é Oddjob, certamente um dos mais marcantes nêmesis em todo o cinema de ação. Ele não precisa falar nada para soar ameaçador, e não precisa de caras e bocas, tampouco – quase o tempo todo ele traz um grotesco sorriso estampado na cara gorda. As demonstrações que ele faz (a decapitação da estátua, a pulverização da bola de golfe) estabelecem a tensão necessária, tanto que o quebra-pau final não é violento como o de “Moscou”. Uma boa coreografia e dublês aos montes não são necessários, pois Oddjob já provou que um único golpe seu não é um golpe qualquer. As Bondgirls, por outro lado, são tratadas com uma displicência relativa, mas apenas para enriquecer o filme, pois fazem parte de cenas memoráveis – especialmente a do corpo dourado – e aumentam o body count que é uma beleza.
Talvez superando o trabalho em “Moscou”, a parte técnica ajuda a encher os olhos, usando de uma fotografia ótima (as cenas noturnas não requerem mais filtro nas lentes), uma direção de arte tão preciosa quanto a do filme anterior (que salão maravilhoso o de Goldfinger!) e efeitos especiais adequadíssimos – contando aí outra linda cena de carro-ladeira-abaixo. A qualidade do som, premiado justamente no Oscar, também ajuda no espetáculo – por exemplo, o cabo elétrico só faz seus ruídos de faíscas quando há uma chance de ser usado. Ainda faltam elogios a Sean Connery, mas a essa altura, já se tornam supérfluos. Ele já provou que nasceu para esse papel e continua se superando, com cada vez maior alcance dramático. “Goldfinger” veio criar o universo de uma franquia de 40 anos de idade, e isso não é pouca coisa. Já o torna um clássico do Cinema.
Por: Pedro De Biasi
Moscou Contra 007
***** de *****
Tenho inveja dos que começaram a ver os filmes de Bond no cinema, desde o primeiro. Se ”Dr. No” é um debut incrível, “Moscou” é uma continuação ainda mais incrível. Não estamos falando de manter a qualidade de excelente filme, e sim de superá-lo em todos os aspectos. É aqui que Bond é cimentado como um personagem capaz de atrair audiências e criar verdadeiros espetáculos de ação. Se o primeiro filme tinha uma ação climática e tímida, aqui ela continua climática, e perde a timidez de vez. E impressiona muito – inclusive os que se acostumaram a um Pierce Brosnan digital fazendo macaquices estapafúrdias.
Fico sem palavras para descrever a intensidade das seqüências adrenalinescas. Só posso dizer que fica difícil imaginar algo muito melhor em outros filmes. Se a cena do helicóptero, que homenageia Hitchcock em grande estilo, é tecnicamente espetacular (especialmente para uma produção de 63); e se a cena das lanchas tem todas as explosões que alguém poderia pedir naquela época, a cena do filme é a luta entre Bond e Grant. Além de ser maravilhosamente construída desde a cena de abertura, passando pela vigilância constante, ela arrebenta em sua relativa curta duração. Quem vê a Batalha de Álamo no campo de ciganos nem espera algo tão bem feito como a pancadaria dentro do Orient Express. A coreografia é espetacular, a direção da cena, segura e econômica, e o ritmo, brutal. Não é à toa que os produtores acharam que a cena poderia ser pesada demais para ir ao cinema, pois ela é, mostrando que Bourne já nasceu empatado – e com 40 anos de desvantagem.
Ritmo, por sinal, é o que não falta ao filme, graças a uma edição que ressalta tudo que há de bom em cada cena. Mas não basta ser frenético, como os blockbusters atuais bem demonstram, e “Moscou” é uma aula de passo, montada com uma dedicação incrível, e inclui mesmo cenas lentas, especialmente depois da metade do filme. Essa parte da projeção se dedica a criar um clima de calmaria que obviamente será quebrado, mas o diretor Terence Young é tão hábil que ele não perde a tensão de vista, adicionando elementos cada vez mais bombásticos para voltar à intensidade que o roteiro necessita – não à toa, o ápice é a inesquecível luta entre Bond e Donovan Grant (Robert Shaw). O roteiro, por sinal, subiu para outro nível, também. A narrativa garante atenção constante, pois a trama, cuidadosamente apolítica, contém uma porção de detalhes e usa reviravoltas com uma moderação linda de se ver, pois elas não estão lá para desviar ou manter atenção do filme, e, sim, para ajudarem na construção do plot.
Os personagens, por sinal, são tratados com um respeito imenso, desde Kerim Bey (Pedro Armendáriz, ótimo) até Tatiana Romanova (Daniela Bianchi), provando que há espaço para graça e simpatia de sobra mesmo num filme do frio agente britânico, pois ela é uma das Bondgirls mais agradáveis de todas e empresta uma leveza muitíssimo conveniente ao filme. Sean Connery dá o show de sempre, perfeitamente à vontade seja nas cenas de ação, nos momentos de sutileza britânica (o filme é recheado dela) e nas… não tão sutis cenas de sedução. Pegando um pouco de Billy Wilder (usando, inclusive, a idéia do trem como Wilder usara em “Quanto Mais Quente Melhor”), Young carrega na dose de erotismo do filme, incluindo danças de ciganas, uma disfarçadíssima cena de nudez e vários prelúdios de transas do espião – se nos anos 60, isso podia passar despercebido, o charme e a ousadia só aumentam nos dias de hoje.
Na parte técnica, o filme também supera o debut, contando com uma trilha sonora eficaz e bem mais versátil, que já apostava em composições mais intensas para cenas de ação antes de isso virar regra em Hollywood. A maquiagem acerta ao dar um tom esquisito para o rosto de Bond em sua “primeira” cena. A direção de arte é estarrecedora, criando sets lindíssimos e realistas, como o do campeonato de xadrez (que custou aproximados US$ 150 mil), uma recriação perfeita do famoso Orient Express e o nada afetado, porém intrigante, escritório de Bofeld. Falando no misterioso vilão, dono de uma voz inesquecível, o lado mau da história também ganha com uma atuação matrona (e, por isso mesmo, marcante) de Lotte Lenya e a fria, um tanto psicopata expressão de Shaw – que curiosamente parece uma influência para Daniel Craig em “Cassino Royale”.
Todos dizem que Goldfinger é o ápice da franquia de James Bond, mas, embora haja o que melhorar em “Moscou”, é difícil imaginar algo mais espetacular. Por sinal, a abertura desse filme é um exemplo de como dá pra fazer coisas bacaníssimas sem profusão de efeitos visuais. (Não odeio FX, mas é fato que nem sempre eles são precisos.) Pra não acabar o texto com uma frase aleatória: recomendo essa preciosidade do cinema de ação, porque continua fresca e empolgante, e ainda tem as marcas da moda antiga de um jeito acessível para espectadores atuais.
Por: Pedro De Biasi
Cabo do Medo
**** de *****
Um pouco mais de Scorsese na minha vida, e, embora esse filme entre direto no fim do meu Top Tio Scorsa, não deixa de ser bom pacas. Robert DeNiro está ótimo na pele tatuada de um psicopata que sabe muito bem como aterrorizar alguém, num crescendo de ameaça que pode só engatar a primeira depois de uns 45 minutos, mas que chega a níveis insuportáveis. Aqui está uma das cenas mais aterrorizantes da minha vida, uma que certo filme de Christopher Nolan usa – e aqui a intenção diferente, de dar um puta susto, funciona de forma completa. Arrepiante. Nick Nolte é o advogado vulnerável que vai se afundando no terror, Jessica Lange é a pobre mulher indefesa e Juliette Lewis é a menina cuja relação com o assassino se torna mais complexa – e todos interpretam seus papéis com afinco.
O roteiro usa elementos eficientíssimos, como a amante de Sam e os planos deste para se livrar de Max, e os costura com uma visão sempre cinzenta da Lei e da Justiça, com um efeito impressionante. Embora se renda a clichês gritantes em seu quarto final, o filme continua causando tensão, graças à direção inspirada de Scorsese – para a qual só tenho parciais ressalvas em relação às câmeras e à edição, ocasionalmente desvairadas demais, numa tentativa de criar instabilidade em momentos deslocados. A marcante trilha sonora e a interessante fotografia dão estilo para se contrapor à crueza do filme, que ainda conta com cenas de violência agoniantes. Outra prova de que Scorsese é garantia de qualidade. Não o selo de platina do Inmetro, mas uma garantia mesmo assim.
Por: Pedro De Biasi
Noitão HSBC
Êta coisinha bacana que é o Noitão, meu deus. 3 filmes pelo preço de 1 e meio, da meia-noite até as 6 e um pseudo-pseudo-lanche de manhã de brinde. Mesmo quando os filmes são ruins, vale a pena pela experiência. E esse foi talvez o melhor dos 3 que já fui.
Ensaio sobre a Cegueira (***** de *****)
Difícil dispensar algumas palavras pra um filme que usa tão bem a linguagem cinematográfica quanto o livro de Saramago fazia com as palavras. Resumindo, é uma obra magnífica, contando com atuações homogeneamente sublimes do elenco (salvo Julianne Moore, que transcende tudo), cenas de uma carga emocional fortíssima, um roteiro que não se incomoda em usar de um ritmo diferente de narrativa e uma direção tão segura e primorosa que fica difícil desgrudar os olhos da tela. Enfim, uma obra-prima.
O Closet (Le Placard) (**** de *****)
Filminho francês, tipicamente feel-good, que funciona por vários motivos. Pra começar, é uma comédia de tom correto e fluente, sem aquela montanha-russa de diferentes tipos de piada – aquelas merdas que comédias americanas fazem, da ironia pra escatologia, do sarcasmo pras trapalhadas, e etc. Além do mais, o roteiro consegue, em menos de hora e meia, compreender uma vasta gama de personagens e situações de forma fluida e satisfatória, sem perder nenhuma das ótimas linhas narrativas de vista. Infelizmente, o longa escorrega em uma esquisita repetição, já que as cenas de Belone (Michel Aumont, ótimo) e Guillaume, por exemplo, são sempre encenadas da exata mesma maneira.
Por outro lado, Daniel Auteil, como o protagonista François Pignon, simplesmente arrasa, desde o começo, como um homem fechado ao extremo, passando pelas inúmeras (e hilárias) situações que o personagem tem de enfrentar. O bom e velho Depardieu também está ótimo, num papel bem diferente dos que costumamos vê-lo interpretando, fazendo de suas cenas alguns dos melhores momentos do filme. Graças à rara atenção dada ao roteiro, e ao impecável timing (sem contar o ritmo bastante diferenciado de películas francesas comuns), essa produção se destaca como uma ótima comédia, daquelas que nem o Brasil, nem os EUA conseguem fazer com freqüência. Bem, o final é atabalhoado e quebra o tom do filme, mas é impossível terminar a projeção com uma sensação ruim, pois o filme é muito bem construído e prazeroso. Um ponto final borrado não estraga o período todo.
Love Baby (Comme les autres) (** de *****)
Por outro lado, há certas cenas de humor, mas soam tão deslocadas que estragam o já infrutífero tom melancólico imposto à trama – ao menos elas são realmente engraçadas. E, tentando esquecer meu lado gay, vou analisar a trepada do filme (obviamente não gay, mostrando a falta de tato do diretor) com rigor técnico: se ela é bem explorada pela própria opinião do personagem, ela é apenas bucha de canhão pra mais conflitos mornos. O filme todo é recheado desses conflitos mornos e de situações inverossímeis (que tornam a fotografia naturalista um erro brutal), mas o que mais incomoda mesmo é o protagonista. Tratado com uma unidimensionalidade sofrível, ele só sabe pensar em filhos, falar de filhos, fazer planos para quando tiver filhos. Pode até mostrar a obsessão do personagem, mas, por favor, desenvolva-o também! Nesse sentido, o fato de Manu ser um pediatra não soa bem como poderia ter soado: mostra mais um sinal de simplicidade do personagem.
Quanto Mais Quente Melhor
****¹/² de *****
Wilder é o cara. Sem mais. Fazer o cinema que ele fazia naquela época, e ainda sob as saias de grandes estúdios (que permitem, por exemplo, uma excelente cena de perseguição, uma produção cuidadosa e outras regalias orçamentárias), é um feito de gênio, e nada menos. O filme é de uma sexualidade tão brilhantemente disfarçada que não se torna só mais engraçado, e sim mais inteligente. O detalhe do pé levantando numa posição sugestiva, o simbolismo irreverente das rodas do trem, a “parada de emergência”… embora Wilder tente chamar atenção para as referências mais explícitas dos diálogos, a genialidade dessas sutilezas é um dos pontos altos do filme.
No entanto, há qualidades de sobra nessa deliciosa comédia, como os maravilhosos trocadilhos dos impagáveis diálogos e o perfeito timing cômico do filme inteiro. Jack Lemmon e Tony Curtis simplesmente arrasam, assumindo suas várias personalidades com afinco e senso de humor incríveis – mesmo havendo uma interessante análise das fachadas que cada um usa, a comédia nunca perde sua força. Ok, há um certo exagero: algumas falas e uma ocasional tendência para uma grotesca caricatura tornam certos momentos menos inspirados que outros. Mesmo assim, há tantas cenas hilárias que mesmo os excessos não chegam a comprometer muito. O mesmo pode ser dito sobre as convenções usadas no filme, que às vezes criam uma indesejada previsibilidade, mas nada que ofusque o brilho do filme. Brilho este reiterado pela presença luminosa, carismática e sensual de Marilyn Monroe, e pela direção firme de Wilder, que consegue dar unidade para o que poderia ter sido um filme bastante desconjuntado, já que mistura enganação, perseguição, tensão, comédia, romance e mais vários elementos no roteiro. Arrematando, a edição é primorosa (a alternância entre os “encontros” dos protagonistas é engraçadíssima), a trilha, perfeita, e o final, irreverentemente ousado. Um paradoxo? Talvez, mas Wilder deve ser um gênio, porque funcionou, faça a sentença sentido ou não.
Por: Pedro De Biasi
Acossado
***** de *****
O ícone da nouvelle-vague é um filme que continua fresco até hoje. A desconstrução do roteiro é brilhante, usando uma história de ladrão e outra de amor para subverter não só as possibilidades dessas histórias, mas para subverter o próprio fazer cinema. A câmera acompanha personagens em lugares ingratos (interior de apartamentos e carros, ruas cheias de transeuntes desavisados), e, ainda assim, envereda por planos longos, hábeis, numa firmeza de direção que é bem difícil de se ver. Por outro lado, os cortes são elétricos, e, mesmo que (como notas de produção indicam) tenham sido exigência do produtor, que achou o produto final muito longo, Godard usa a edição de uma forma consciente, nada aleatória, dando unidade e determinação ao filme. Não que sua direção seja previsível, pois não é: ele usa de efeitos sonoros (o tiro no carro) e “erros” de continuidade a saltos no tempo e estranhas transições para inovar sempre dentro de seu filme, mostrando, talvez, uma certa humildade. Afinal, se ele quisesse mudar o Cinema como um todo e de forma definitiva desde o começo, teria feito um filme de técnica definida e redonda – poderia usar o termo “quadrado”, mas nem indo por esse caminho demasiadamente pretensioso “Acossado” poderia ser chamado de “quadrado”.
Voltando ao roteiro, ele foca em momentos inviáveis em filmes triviais, e mesmo assim acontecem de forma inusitada – “inusitado” é a palavra que vem em mente ao se ver cenas como a longa conversa no apartamento, aquela que precede o sexo. A dramaticidade também é enxotada com força, já que Godard usa os (comumente) explosivos tapas e momentos de tensão do roteiro sem toda a intensidade “necessária”. Não há gritos. Só conversas. Não há separações novelísticas. Há tomadas longas para ressaltar a emoção de Michel ao estar com Patricia, e cortes irritantes para ressaltar a displicência daquele para com uma outra garota qualquer. E a própria escolha de diálogos nada convenconais, quase nunca causais, implode qualquer visão de romantismo batido. Quanto ao fato de Michel ser ladrão, acompanhamos uma intrigante participação onisciente, dando espaço para sensações em relação a Patricia, que nada sabe – e é interessante ver o desenlace desse principal conflito de um modo acachapante, simplesmente por ser anti-convencional e, por isso mesmo, mais interessante. “Acossado” não é só artístico, é envolvente, uma mistura inegável e impecável das duas qualidades supremas do Cinema.
Por: Pedro De Biasi