Mostra Internacional de Cinema de São Paulo #11
O Oculto (*¹/² de *****)
Sinopses, sinopses, sinopses… Muito bom ler um filme com uma premissa promissora (ornitólogo inglês que cataloga todos os pássaros do país precisa de apenas um para completar a lista, mas seus planos mudam com um estranho visitante), e o fato de ser um filme desconhecido e, por isso, difícil de ser encontrado de novo, me atiçou. Assim descobri o ótimo “The Blue Tooth Fairy”, assim como o fraco “Homem de Vento”. E, mais uma vez, me ferrei. “O Oculto”, um suspense independente de quem ninguém ouviu falar, não começa exatamente bem, pois o ator principal, potencialmente ótimo, está mais preocupado em parecer um ermitão amalucado do que mostrar sua sensibilidade dramática – que em determinadas cenas é usada com eficiência pelo diretor Marek Losey. O trabalho deste, no entanto, se limita a bons momentos esporádicos, pois o uso da razoável trilha sonora é clichê ao extremo, e, diabos, a própria glamurização do péssimo roteiro mostra uma inegável falta de bom senso.
Uma história tão boba e previsível, com ares de thriller-de-plano-mirabolante e uma revelação horrivelmente óbvia, não é digna de nem metade da pompa com que Losey a conta. Como dito, tem seus momentos, além de uma fotografia excelente e uma eficiente atuação de Phil Campbell (uma pena que no final ele seja obrigado a proferir um vazio e aleatório ode à humanidade), mas até mesmo outros detalhes menores atrapalham, como a direção de arte, que confenciona a pequena cabana de forma horrenda: um interior toscamente gótico com pôsteres baratos de pássaros. O resultado final é um filme que não empolga através de seus diálogos estapafúrdios e naufraga de vez quando percebe-se que o abissal roteiro é tratado com respeito, sendo que é primário, na melhor das hipóteses, e um desperdício de um ponto de um partida promissor, que poderia ter ido para centenas de caminhos menos pobres.